na casa da tia su

na casa da mamãe

o miguelito é um gato forte que pesa 4,5 kg e é super ativo. nasceu na casa da tia susan e justamente por isso nunca tive nenhuma preocupação com ele. afinal, é um gatinho que não passou pelos perrengues das ruas; brigas, cruza...
para quem não sabe, antes de eu adotar o miguel, ele se chamava dálmata. ele amargou dois anos esperando ser adotado. desde que eu ganhei o nico, paquero o cara preta no site. a susan sempre postava as travessuras dele, pois além de ser o xodó dela, ele aprontava todas. foi mais de um ano convencendo o gabriel que dois gatos era legal, pois um fazia companhia para o outro.
dia 11 de novembro de 2007 o miguel chegou em casa. lembro até hj a cara que a susan fez quando foi embora. sabe quando a gente segura o choro? a adaptação tb não foi nada fácil. o nico é um gato pentelhinho e o miguel não deixa para trás. depois de alguns dias embaixo do sofá, tiveram muitas brigas, inclusive com machucado no miguel.
o miguel é o gatinho que sempre sonhei, sabe? não que o nico não seja perfeito, mas o miguel é carinhoso, dengoso, ama colo e se esfrega em mim. dorme todos os dias embaixo das cobertas comigo. e ele fica lá a noite toda, sem se mexer, encostadinho nas minhas pernas. eu lembro que eu costumava dizer para ele que ele foi muito esperado e querido e que eu o desejei demais. pq o que sinto pelos meus meninos até dói, sabe?
como vcs sabem, descobri ontem que o miguel é portador de fiv, uma doença que baixa a imunidade dos felinos e que pode fazer com que ele não resista a outra doença, pois não tem anti-corpos para brigar com uma simples gripe. como ela age como a aids humana, acabamos chamando a doença de aids felina.
ter uma notícia desta é simplesmente arrasador. ainda mais pq eu perdi uma gata há pouco tempo de problemas renais e a simples sombra de passar pelo sofrimento de perder um filho de novo, me deixou completamente sem chão.
só que apesar disso, nunca passou pela minha cabeça qualquer atitude se não cuidar dele. e dar amor e afeto para que ele se sinta amado, cuidado e seguro, para que a doença nunca se manifeste. mesmo com todo medo do futuro, jamais me separarei do meu filho e estou aqui escrevendo, pois muita gente tem preconceito com animais portadores de doenças como fiv e felv.
claro que ninguém sonha em ter um animal portador de alguma doença, mas tb o animal não escolhe isso e por isso não tem culpa alguma. provavelmente, o miguel pegou fiv pela mãe ou pai dele, já que nunca viveu nas ruas. mas conviver com o miguel é uma dádiva tão enorme que nada muda este fato.
tenho mais 3 gatinhos vivendo comigo, o nicolau, eu primeiro filho, a lorena, que muitos me criticaram pela adoção de uma gata linda e a rita, um ariscona do site que vive comigo há quase um ano. apesar de dois anos de convivência, o nico não tem o vírus. o exame não foi feito na lorena, pois ela tem apenas nove meses e é super gordinha. e a rita, por ser arisca não se deixa tocar para tirar sangue.
confesso que chorei umas quatro horas seguidas. morri de medo perder meu filho e de passar pelo sofrimento de um tratamento doloroso. hoje, depois de falar com a dra. angélica e receber a análise dela dos resultados, estou bem mais tranquila. ele é portador sim, mas sua imunidade está excelente. não teremos que entrar com nenhum tratamento, a não ser o da gengivite.
claro que teremos que controlar sempre a imunidade dele com exames periódicos. e medicá-lo e casos especificos. mas ainda bem que soubemos disso logo, assim, podemos manter a doença sob controle para que ele nunca venha sofrer um mal maior.
meus outros gatos continuarão a conviver com ele, pois a transmissão é raríssima em gatos castrados, já que a doença é transmitida pelo ato sexual ou por troca de sangue. ou seja, eles teriam que brigar feio, com sangue e tudo mais. o que não acontece aqui em casa.
além disso, é uma doença exclusivamente de gatos, então nem eu e nem ninguém que conviver com ele corre riscos. cachorros tb não correm riscos. é vida completamente normal. como disse a dra. angélica, ele exige atenção especial e não cuidados especiais.
ainda bem que o miguel é meu filho e tem a chance de saber que é um gato especial, além de receber o melhor tratamento, a melhor ração, cuidados e muito amor. para mim, esta é uma história feliz de um gato que ganhou a chance de ter qualidade de vida. triste mesmo seria se ele morresse sem nunca ter tido a sorte de ter uma casa, uma mãe que coloca ele como prioridade, dois irmãos que brincam com ele, uma cama quente e uma coberta cheirosa para se esconder de noite, além de tias que se preocupam com ele.
e eu só tenho a agradecer por ele ser meu filho e me retribuir com carinho, denguinho e amor.
obrigada por ser meu filho, miguelito. mamãe te ama mais que tudo!!