terça-feira, 30 de setembro de 2008

abrigo


muita gente acha que protetores são pessoas meio malucas que gostam de se encher de gatos. quase como uma coleção, um de cada tipo, modelo e sabor. no fundo, ninguém escolhe ser protetor de animal. a diferença é que algumas pessoas simplesmente não conseguem ver certas coisas e ficar indiferente.

apesar de não me considerar uma protetora, pois só tenho uma gatinha temporária em casa, eu admiro demais o trabalho destas pessoas que, em muitos dos casos, acabam abdicando um pedaço da sua vida por conta dos bichinhos.

depois de certo tempo, a criação de um abrigo acaba se tornando necessária ou então, a solução é restringir o número de bichinhos ajudados. eu particularmente acredito que bom protetor mesmo é aquele que não faz mais do que pode. afinal, tirar um bichinho da rua e colocá-lo numa situação de estresse com mais centenas de outros bichinhos de longe não é a situação ideal.

embora muita gente acredite que abrigos são bons e que assim os bichos estão protegidos, esta não é a realidade. claro que abrigo é melhor que a rua, nem dá para discutir. mas o bom mesmo é casa, comida e cama quentinha. abrigo é ajuda paliativa e não definitiva. se não é, deveria ser o local que os bichinhos ficam temporariamente até que alguém os adote.

infelizmente o que notamos, vocês podem conferir em todos os abrigos e com todos os protetores, são abrigos super lotados. bichinhos e mais bichinhos esperando por um lar, encalhados e tristonhos. alguns chegam a morrer sem nunca saber o que é ter família. alguns, ditos como ariscos, mudam completamente o temperamento depois de estar em local menos cheio e mais tranqüilo.

é o caso da pepita (foto). chegou ao abrigo do aug muito jovem ainda. arrisca e medrosa, não deixava ninguém chegar perto dela. ficou anos sem conseguir ser vacinada pq não havia condições de capturá-la para levar ao veterinário. depois de anos por lá, melhorou muito, mas mesmo assim, sempre foi considerada uma gatinha arisca.

faz três meses que a pepita está em casa. chegou com a pepa que, contrariando todas as expectativas, foi muito bem adotada por uma família super carinhosa. quando chegou em casa, a pepita se quer miava. nunca me procurou, nem me olhou e não deixava eu chegar perto. ela estava tratando da gripe, então eu tinha que pega-la pelo cangote para dar o comprimido. consegui colocar ela na caixinha, mas ela nunca foi de contato físico.

ah... hoje eu sinto maior orgulho quando eu chego em casa e a pitchula, como chamo a pepita, está miando baixinho no quarto dela pedindo para abrir a porta. aí, depois sobe em cima de mim, toda levinha para cochilar enquanto eu vejo tb. ou então quando ela entra nas cobertas, quando lambe e se esfrega na minha mão pedindo um cafuné.

claro que ainda se assusta com certos movimentos, mas faz questão de estar sempre por perto para acompanhar tudo. infelizmente, por conta da ração especial, ela não pode ficar solta 100% do tempo. mas sempre que estou em casa, faço questão de a deixar explorar o ambiente. outro dia esqueci a tampa da privada aberta e ao entrar no banheiro, flagrei a pequena dentro, bebendo água – sorte que estava limpa – rsrsrsrs. estes dias o nico até ameaçou dar umas lambinhas nela!!!

quem vê a pepita hj, não imagina que foi uma gata arisca!!! não tem jeito, só tem uma receita de sucesso! cuidado e amor!!!! não vejo a hora dela ficar boa logo. merece isso!

ontem recebi uma pedido de adoção, mas infelizmente era um ser ignorante. nem sei para que queria um gatinho. quando fui explicar que ela tinha problemas renais, mas que apesar disso ela era super de bem com a vida, ouvi um grito: “afe, tenho pobrema demais para pegar bicho doente”. não dá né?

se não for um super lar, que fique comigo!!!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

tudo ao mesmo tempo agora

me sinto uma relapsa todas as vezes que fico mais de uma semana sem postar. mas as últimas duas semanas foram tão corridas que eu mesma me perdoei pela ausência de informações.

assim, para dar continuidade ao diário de uma gateira maluca, resolvi fazer um post de atualizações. pois muitas coisas aconteceram desde então.

1. bell resolveu espancar a pepita sem dó nem piedade. ela já fazia isso no abrigo, com outros gatos, mas na casa antiga estava super de boa. só que desta vez, não deu para segurar. como a pepita está em tratamento (já conto isso), a bichinha não podia se estressar mais. resultado? levei a bell para dra. angélica. como lá sempre tem pessoas bacanas interessadas em gatinhos e a dra. angélica é pé quente nas adoções, pensamos ser uma opção bacana, pois ela é ubber carinhosa com humanos. isso foi na sexta dia 12 e parece que a pequena está reservada!! tomara que dê certo. o coração apertou, mas não tive opções.

2. refizemos os exames da pepita e a furica não apresentou melhoras. tem uma série de alterações e por isso entramos com remédio. serão 30 dias de tratamento para ver se ela melhora. depois do pânico que ela passou com medo da bell, as coisas melhoraram muito. ta toda saidinha, pois estou soltando ela para convívio com os meus meninos todas as vezes que estou em casa.

a pepita nem parece mesmo a mesma gata que chegou em casa toda assustadinha e medrosa. ela deita comigo, dorme em cima de mim quando estou vendo tv e mostra a barriga seca para eu fazer carinho. ela ainda não sabe muito receber carinho e tenta me morder quando eu faço isso. mas o temperamento dela, definitivamente melhorou demais. é muito bacana ver que uma gatinha arisca se tornar um docinho. já me segue pela casa e arrisca lambidas nos meninos. o nico está se acostumando, mas o migue, depois de ignorá-la por um tempão, resolveu brigar pelo território (minhas pernas), pois a furiquita resolveu escolher o lugar preferido do miguel como o dela tb. rsrsrs

ah, ela tb descobriu a ração dos meninos, então, sempre que está solta, tenho que suspender as rações. digo as rações, pq o miguel tb descobriu a dela e como ração renal é cara pra burro, suspendo as duas, né?

no mais as coisa continuam caminhando bem. nico finge que não liga, mas sempre rola uns fights quando a pepita se aproxima de mim. as manhãs se tornaram tb momentos de carinhos, quando ele sobe na minha barriga e dá cabeçadinhas na minha mão para receber carinho (preciso filmar isso). miguel carinhoso como sempre e a pepita cada vez mais integrada a turminha. medo disso tudo. além dela ser uma gatinha de difícil adoção por ser adulta, “arisca”, ter o rabo quebrado e ser renal... ela ta se mostrando uma gata muito carinhosa. se demorar muito, quem vai me convencer a entregá-la? hahahahahah

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

inveja mata

invejosa como sou, não agüentei ver a pepita tendo cuidados especiais por conta do probleminha renal e corri para o hospital semana passada.

depois de 1 semana de investigação e suspeita de apendicite, eis que descubro que tive uma infecção urinária que atingiu meu rim. invejosa, né?

mais uma semana de antibiótico e as dores sumiram.

ufa!

to de volta ao mundo real e virtual!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

bel


este domingo recebi uma gatinha em casa que foi adotada pelo site e devolvida. sei que é complicado julgar este tipo de atitude, mas é mais complicado ainda entender o que leva um ser humano a adotar duas gatinhas e depois, devolver.

quando a pessoa chegou em casa, tava com maior cara de choro. não sabia se sentia pena ou raiva, mas preferi não dar muita trela, pegar a gata e agradecer. só me restringi a falar: fique tranqüila, ela ficará bem aqui em casa!

a gata é uma fofucha. tigradinha, gordinha e carinhosa. adora esfregar a cabecinha para pedir carinho. arrisquei deixá-la socializar logo de cara, pois está com todas as vacinas em dia, mas o nico e o miguel já dispararam seus famosos fuz e eu recolhi a pequena de novo.

a antiga dona trouxe todo o enxoval. logo que coloquei a caminha no quarto, a pepita não se fez de rogada e deitou toda gata na cama que não era dela. o primeiro dia foram mil maravilhas. apesar de miar miudinho, não estressava em ficar no quarto com a pepita. ufa!!!

eis que ontem, quando chego em casa do trabalho, percebo um super arranhão no focinho da pepita. os olhinhos inchados e ela super assustadinha! não precisei de mais de 5 minutos para presenciar a bel dando um chega para lá nela. pior que não é provocação. a pepita tava deitadinha embaixo na arara de roupas, como faz sempre e a bel entrou lá já apavorando a coitada, enchendo ela de patadas e fus!!

claro que eu deixei a pepita solta hoje a noite né? não podia deixar a pequena tomar porrada assim de graça. a bichinha nem revida. fica só se encolhendo no cantinho.

a brincadeira me rendeu um cocozão no meio do tapete da sala, planta comida e 2 vômitos pela casa. pepita não sabe brincar ainda de ser gatinha de casa. tb né? depois de anos e anos no abrigo, ta aprendendo tudo do zero! mas foi bom acordar com ela deitadinha no meus pés, junto com o nicão!

para remediar o mal, a bel tomou hj dose única de homeopatia. a dra. angélica acha que ela está com trauma de ser adotada e devolvida. memória, como ela mesmo disse. a pepita terá que usar colírio por 5 dias. aproveitamos e refizemos os exames da pepita. sangue e urina!!! hoje já saberemos se o probleminha renal regrediu. vamos torcer!

espero que a homeopatia faça efeito rápido!!!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

senhor nicolau, o gato rei

sempre quis ter um bichinho mas minha mãe nunca deixou. não que ela seja ruim ou não goste, mas ela sabia que a responsabilidade acabaria nas mãos dela e por isso sempre se negou. além disso, se apega demais e sofre demais com qq probleminhas. coisa de coração mole

quando eu saí de casa, decidi que ia ter um bichinho. na ocasião, comecei a perturbar meu ex-marido por um. como ele teve gatinho já, perguntou se podia ser gato e não cachorro. topei na hora!!

eis que um dia recebo no e-mail as seguintes fotos!

[09.04.2005]


[12.04.2005]


o pretinho das fotos era o último bebê da ninhada da gata de um amigo. os demais todos acharam lar, menos ele, que ficou encalhado. tinha apenas 3 meses e estava na vila madalena. se eu tivesse interesse, podia buscar a qualquer momento.

naquela tarde não consegui fazer mais nada a não ser pensar no gatinho. mostrei a foto dele para todos do meu trabalho. olhei no relógio de 3 em 3 minutos. enfim, a noite chegou e depois de passar na cobasi comprar o enxoval, fui buscá-lo.

a criaturinha de 4 meses miou o caminho todo para casa. achei que ia morrer de tanto miar. miava tanto até que acaba o fôlego e parava. quando chegou em casa, ficou escondido por 3 dias. neste tempo fiquei doida procurando, até que percebi que a figurinha fez um furo no forro da cama box e ficava lá dentro sempre que a gente chegava em casa.

eu nunca tinha tido gatos. foi uma comédia. apesar da insistência para que eu o pegasse no colo e eu ficava super amedrontada. deixei que as coisas tomassem seu devido tempo e foi a melhor coisa que fiz. hoje o senhor nicolau, o nico, confia tanto em mim que se eu jogar ele pro alto, acho que ele cai de costas. não que eu faça isso, mas quando eu o deixo no chão, ele fica lá, deitado de barriga para cima, do mesmo jeito que eu o deixei.

como o dono da mãe dele não sabe o dia que o nico nasceu, deduzimos que ele é de janeiro de 2005, pois pegamos ele em março, com cerca de 3 para 4 meses. na primeira semana ele teve pelo menos uns 5 nomes, elvis, ozzy, etc. até que um dia descobrimos que ele era o nico.

também foi nesta época que eu conheci o aug. por não conhecer nada sobre os felinos, fiquei dias procurando dicas na internet, até achar o aug e começar a paquerar todos os gatinhos. e foi nestas paqueras que eu conheci o miguel. mas aí, a história da paixão pelo miguel, conto outro dia ;)

fazendo pose na janela - patudo


conhecendo o ambiente


pititico de tudo com a mamãe


o pretico de mamica [setembro de 2008]


ah, não há uma só pessoa que conheça o nico e não fale o quanto ele é posudo, imponente e chiquetoso. um verdadeiro gato rei, cheio de classe!!!

ai ai ai, mamãe coruja....

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

família

aos poucos a paz volta a reinar lá em casa. os meninos não estranham tanto a pepita, que agora fica solta todas as noites, para socializar, ficar menos bichinho do mato e tb para facilitar a minha vida - hahahaha

ontem, quando cheguei em casa, fui ver tv e aproveitei para ficar com a máquina em punhos [as melhores fotos sempre são perdidas por naõ estarmos com a câmera, né?].

nico, como sempre mais reservado, ficou perto pero no mucho, observando e cuidando de tudo.


miguel, o folgadão, já garantiu seu lugar em cima de mim.


já a pepita, ah, ela descobriu a televisão! acho que a bichinha nunca tinha visto uma [tava no abrigo desde muito novinha]. a pequena não se fez de rogada, garantiu seu cantinho no sofá e ficou lá, hipinotizada!


é friozinho bom que aproxima todo mundo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

final feliz



dizem que a gente cria os filhos para o mundo. ontem, tive que passar por esta premissa e preciso falar que fui forte. acho que minha força veio da excelente doação que fiz. minha lindinha pepa [foto] achou um lar! não uma casa com humanos não, ela tirou mesmo foi a sorte grande e achou uma família super bacana que a escolheu e a acolheu com muito amor e com tudo que tem direito!

tudo começou na sexta, quando a elisa me disse que uma pessoa havia ligado na dra. angélica interessada na pepa e que passou o número do meu celular. fiquei com um misto de ansiedade e medinho de deixar minha pequena partir. só que sexta ninguém me ligou. sábado, quando o dia estava acabando e eu achei que a pessoa tinha desistido, recebo uma ligação 16h.

era uma senhora muito delicada e meiga. explicando que tinha interesse na pepa, mas queria saber a idade dela, pois como tinha sofrido uma perda há 2 meses, queria uma gata nova que tivesse chance de ficar com ela por muitos anos.

ao telefone, pude perceber a sensibilidade da d. cleide pois, ao contar que teve que sacrificar sua gatinha por conta de um câncer, se pôs a chorar ao telefone. sei como são estas coisas e nem gosto de imaginar minha vida sem meus meninos. a ouvi pacientemente e expliquei todas as qualidades da minha piludinha: carinhosa, quietinha, carente, delicada [sim, depois que a soltei em casa, ela ficou muito quietinha – gosta mesmo da companhia de humanos].

no próprio sábado, a d. cleide atravessou a cidade e foi em casa ver a pequena com seu esposo e sua filha. já chegaram em casa aperando as pequenas e brincando com elas. tiraram todas as dúvidas e decidiram:

d. cleide: luísa, quero mesmo a pepa. posso leva-la agora?
luísa: não pode, infelizmente, tenho que dar uma olhada na sua casa e ver se é realmente seguro.
d. cleide?: ah, vc é muito chata – rsrsrs
luísa: ah, se eu fosse a sra. ia me achar chata tb, mas o que a gente não faz pelo bem dos gatinhos? mas prometo que eu levo ela amanhã, na hora do almoço.
d. cleide: ah, que bom, assim eu já vou comprar as coisinhas dela.

domingo assim que eu acordei fui levar a pequena para a casa nova, lá perto de santana. a casa é uma graça, muros altos, telas nas janelas. a família nova, nem se fala. todos estavam aguardando a piludinha com ratinhos, catnip, arranhador e até caminha! d. cleide fez questão de me mostrar a casa toda. o quintal com muros altos, a tela no portão, o quarto dos filhos.

soltei a pepa e a pequena começou a reconhecer o ambiente. entrou em todos os cômodos, cheirou tudo. e atrás dela estava o papai novo, todo babão vendo a pequena conhecer tudo. achando bonitinho que ela subiu na impressora.

confesso que eu saí de lá com uma mistura de sentimentos muito estranha. me sentindo culpada por não ter adotado ela eu mesma, já que ela era super carinhosa comigo, mas tb com a sensação de que a d. cleide e sua família foram feitas para a pepa. acho mesmo, como me disse a juliana do aug, que todo gatinho tem seu adotante e assim, guardo comigo a sensação de dever cumprido. acho que esta sensação valeu por todas as noites mal dormidas com o barulho dela arranhando a porta!

pepolina deixará muitas saudades e jamais a esquecerei!!! minha primeira temporária, linda, carinhosa, delicada. gatinha sofrida que teve casa e de uma hora para outra perdeu a família e foi parar no abrigo. ficou tão estressada que arrancou os próprios pêlos. amargou muito tempo esperando adoção, mas, como me disse a ju no e-mail que me mandou “vc tirou ela do abrigo, deu uma segunda chance e esperou que o resto fosse providenciado. sei como vc se sente, mas tenha certeza que ela será muito feliz. ela agora tem casa, caminha, brinquedos só dela a atenção especial, isso não tem preço no nosso trabalho”.

isso que eu chamo de final feliz!!!